Setembro Amarelo acende alerta sobre papel nocivo das redes sociais

Setembro está quase no fim, mas o debate sobre a importância dos cuidados com a […]

Publicado em: , por Bia Lemos

Setembro está quase no fim, mas o debate sobre a importância dos cuidados com a saúde mental se intensificam nesse mês, como de praxe. Hoje demos uma pausa nos assuntos do fantástico mundo da Apple para falar sobre o Setembro Amarelo, campanha anual de prevenção ao suicídio que ocorre no Brasil desde 2014 e vem ganhando apoio de inúmeras celebridades nacionais e internacionais.

Sabe-se que as estatísticas sobre suicídio são subnotificadas no Brasil e em vários países para não incitar ainda mais a prática. Mas dados compilados pela Azos entre 2014 e 2019, mostram que o número de mortes autoinfligidas aumentou 28% no período. Com a incidência do isolamento social e do novo normal, causado pela pandemia global de coronavírus, as atenções se voltaram ainda mais ao tema.

Já o relatório Suicide Worldwide, publicado em junho pela OMS, indica que mais de 700 mil pessoas tiraram a própria vida em 2019, uma a cada 100 mortes. Por aqui, segundo o estudo, 13 mil pessoas o fizeram. As causas mais comuns são distúrbios mentais, como depressão e bipolaridade.

Em nota oficial divulgada pela Agência Nacional da Saúde (ANS), o diretor-presidente da instituição, Paulo Rabello, alertou sobre o risco à saúde mental durante a pandemia. Ele alerta para a importância de continuar o tratamento psicológico e psiquiátrico, mesmo remotamente.

“É preciso que todos estejamos alertas e que façamos o possível para assegurar a saúde das pessoas que convivem conosco. Mesmo o novo coronavírus tendo afastado muitos pacientes dos consultórios e de seus tratamentos, devemos recordar que, na medida do possível, os atendimentos passaram a ser feitos de forma online, o que foi autorizado pelos conselhos profissionais, possibilitando aos beneficiários de planos de saúde manter o acompanhamento de seus tratamentos que já vinham realizando”, disse.

Papel das redes sociais

Também é impossível ignorar o papel nocivo das redes sociais neste cenário. Há pouco mais de um mês, o adolescente Lucas Santos, filho da cantora de forró Walkyria Santos, suicidou-se ao receber uma enxurrada de críticas homofóbicas por conta de um vídeo de poucos segundos em que simulava um beijo em um amigo, no TikTok. Ele apenas reproduziu a trend que fazia sucesso em outros países, mas aqui, a reação foi diferente.

Ele se retratou e disse que tanto ele quanto o amigo, eram heterossexuais, mas as críticas pesaram tanto que Lucas não aguentou a pressão. Sua mãe virou ativista e luta pela criminalização de comentários de ódio na internet.

As gigantes de entretenimento, como Facebook, Instagram, Twitter e TikTok já assumiram publicamente seus compromissos para tentar frear comportamentos agressivos em suas plataformas. Sobretudo, retirando esses conteúdos e banindo os haters.

O suicídio é o último passo de uma pessoa em sofrimento constante. A ação violenta muitas vezes é influenciada pela opinião de terceiros, não necessariamente de conhecidos e pessoas próximas, sobre sua aparência e jeito de ser. No início do ano, a Academia Americana de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva Facial divulgou uma pesquisa feita em 2020 que sugere o aumento de plásticas durante a pandemia. A pesquisa atribui o interesse às mudanças estéticas ao ócio e maior tempo gasto nas redes sociais.

Nesta clausura, assistimos ao surgimento de novas expressões e até doenças desencadeadas pela aflição do confinamento. A AAFPRS mencionou, por exemplo, um distúrbio chamado Dismorfia do Zoom, que faz com que os usuários percebam “defeitos” na aparência física por conta das inúmeras calls diárias. Este é, inclusive, o motivo de muitos procedimentos estéticos: as pessoas querem parecer mais bonitas no vídeo e na selfie.

No entanto, toda essa pressão estética, essa vigilância pelo peso alheio, jeito alheio e afins, é o começo de um sofrimento que não termina bem para a maioria das pessoas. Afinal, como alcançar a perfeição se ela não existe?

Se você estiver se sentindo constantemente triste, sem energia, se tiver notado uma mudança na forma em que você se enxerga, procure ajuda psicológica urgente! O SUS, maior sistema público de saúde do mundo, possui uma ampla rede de profissionais qualificados para te ajudar a sair dessa. E se passou pela sua cabeça, em algum momento, atentar contra sua própria vida, ligue 188 ou acesse os canais digitais do Centro de Valorização da Vida (CVV) para receber apoio psicológico 24 horas por dia.

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